A IMPORTÂNCIA DE FAZER UMA
REVISÃO DE CARREIRA
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17 de janeiro de 2017
A importância de fazer uma revisão de
carreira – Para manter sua saúde profissional em dia e seus desejos pessoais
alinhados à realidade no trabalho, é necessário fazer periodicamente um
check-up de carreira.
Você
vai ao médico uma vez ao ano, ou deixa para correr ao hospital quando algum
problema aparece? Vai ao dentista com frequência, ou espera a dor de dente
chegar? Por mais que a gente saiba que o melhor é prevenir, muitos de nós só
tomamos uma atitude ao levar um susto. E esse raciocínio é o mesmo para nossa
carreira. Correndo contra o tempo para bater metas e cumprir tarefas do dia a
dia, ligamos o piloto automático e trabalhamos sem fazer uma autoavaliação,
checar nosso desempenho e pensar sobre o que queremos do futuro. Por isso, é
comum que pensemos sobre o assunto apenas depois de um baque, como a demissão.
Mas esperar para fazer o check-up profissional como uma medida de emergência é
uma atitude perigosa. O ideal é pensar sobre o assunto com frequência para não
ser surpreendido nem perder oportunidades.
É
justamente para isso que serve o check-up de carreira. A ferramenta tem ganhado
a atenção de funcionários que querem rever seus planos e avaliar como andam
suas competências, seja para manter o emprego, seja para se recolocar no
mercado. “O check-up previdente ajuda a enfrentar transições e a se dar bem em
períodos de instabilidade”, diz José Augusto Minarelli, diretor executivo da
Lens & Minarelli, consultoria de transição de carreira, de São Paulo. A
ideia é que o profissional examine seu desempenho e, uma vez detectados
problemas, crie um plano de ação para corrigi-los, aprimorando o que for
necessário. Como resultado, ele reduz as chances de desligamento e aumenta a
própria empregabilidade.
Claro
que, em muitos casos, é necessário usar o check-up como remédio para resolver
situações críticas. Esse foi o caso da engenheira de alimentos Karin Amorim, de
32 anos, que revisou sua carreira depois de ter sido demitida ao voltar da
licença-maternidade. A profissional encarou, ao lado de uma empresa
especializada, algumas etapas-chave do processo, que incluíram conversas para
traçar um plano de ação, atualização curricular e até uma simulação de
entrevista de emprego, na qual parou para refletir sobre pontos fortes e pontos
fracos. “Consegui traçar metas e ter uma visão macro do que realmente desejo
para mim”, diz.
Ela
também percebeu que precisava desenferrujar o inglês – hoje no nível
intermediário por falta de prática – e investir em especializações na área de
qualidade, bastante promissora no seu segmento de atuação. Um mês depois, a
engenheira fez uma entrevista na Camil, empresa do ramo alimentício, e
conquistou uma vaga de supervisora. “Meu plano para os próximos sete anos é
crescer. Sinto que a companhia está na contramão da crise e que aqui tenho
possibilidade de aprender e me capacitar”, afirma Karin.
Faça
você mesmo
Contar
com o auxílio de uma consultoria especializada ajuda, mas é possível fazer essa
reflexão sem contratar ninguém. O importante é estar preparado para olhar de
frente os próprios fantasmas e desarmado para encarar um diagnóstico ruim. É
preciso se livrar do que Sergio Chnee, coach de São Paulo, batizou de “Síndrome
de Gabriela”. Ou seja, não cair na cilada de que nasceu assim, cresceu assim e
será sempre assim – em referência à música que eternizou a personagem de Jorge
Amado. “Se a pessoa tiver essa mentalidade, o check-up não vai funcionar”, diz
Sergio, que lançará, em outubro, o livro Check-up de Carreira (Évora). Ou seja,
para que o processo dê certo, é necessário se desapegar do passado. “A
experiência de ontem não vai abrir portas hoje se não houver planejamento.”
Para
desenhar o futuro da sua carreira, o primeiro passo é estruturar um plano de
longo prazo que esteja alinhado aos seus interesses pessoais e profissionais. Vale
pensar, por exemplo, no que motiva (ou motivaria) você a ir trabalhar todos os
dias, no que acaba com o seu entusiasmo e de que tipo de empresa (ou negócio)
você se vê fazendo parte.
“A
ferramenta de check-up é extraordinária quando há um projeto para o futuro”,
diz João Baptista Brandão, professor da Fundação Getulio Vargas, especialista
em liderança e gestão de pessoas, de São Paulo. Afinal, apenas quem sabe aonde
quer chegar é capaz de avaliar se está subindo os degraus certos e com a
velocidade desejada, o que falta para chegar lá e o que ainda precisa ser
aprimorado. Quem está ao léu, sem propósito algum, dificilmente será o
protagonista da própria carreira.
Com
esse projeto já em mãos, investigue o segmento que mais atrai seu interesse. O
que os melhores profissionais da área têm? Quais são as competências mais
valorizadas? Como é a cultura das empresas em que você quer trabalhar? O que é
preciso fazer para trabalhar suas limitações? Hoje, não é difícil encontrar
essas informações. “Há cursos online em universidades renomadas, blogs de
especialistas com ótimas referências, redes sociais e sites de empresas cheios
de informações”, diz José Augusto Minarelli.
Contatos
selecionados
Faz
parte desse processo de revisão de carreira, também, eleger pessoas interessantes
como mentoras. Para selecioná-las, pense nos três especialistas que você mais
admira e respeita. “Quando questiono meus clientes sobre isso, eles dizem:
“Fulano, beltrano e sicrano. Todos inacessíveis”. E eu pergunto: são
inacessíveis mesmo? Já tentou contato com eles?”, diz Sergio. Segundo o coach,
muitos dos mestres estão ávidos por dar conselhos e gostam de ser procurados
por gente jovem interessada em desenvolver sua trajetória. “Eu tive um cliente,
por exemplo, que estava iniciando um projeto na área de educação e decidiu ir
atrás de um dos papas da área. É um senhor de 80 anos, totalmente aberto, que
está achando divertidíssimo compartilhar seu conhecimento com um jovem cheio de
vontade. Muita gente perde esse tipo de oportunidade por medo de tentar”, diz
Sergio.
Essa,
aliás, é uma boa maneira de aumentar sua rede de contatos. Eles serão
essenciais no momento em que estiver examinando a carreira, pois é com as
pessoas que você conhece – e confiam no seu trabalho – que poderá conversar sobre
aspirações, dividir dúvidas, pedir conselhos e, claro, conhecer outros
profissionais que podem ser importantes para ajudá-lo em uma possível mudança
de rumo. “Se você cultivar dez bons contatos, na verdade sua rede será de cem,
porque cada um deles multiplicará suas possibilidades”, diz João.
Plano
de ação
É
importante ressaltar ainda que o check-up só dá certo quando resulta em um
plano de ação estruturado. É necessário registrar os pontos mais relevantes da
revisão, como o objetivo final a ser alcançado, o prazo para chegar até a meta,
as competências a serem aprimoradas e o que fazer para conquistá-las. E, para
que o trajeto fique mais claro, anote as suas intenções. “Na cabeça, as ideias
se perdem. No papel, é possível consultar metas e promover ajustes quando
preciso”, afirma João.
Ao
formalizar quais passos devem ser dados para conquistar aquilo que se deseja, o
profissional consegue perceber no que exatamente precisa investir – como um
curso específico ou uma mudança de cidade. Por isso, quem está com a conta
bancária em ordem e possui reservas tem mais margem de manobra e se sente mais
seguro na hora de colocar seu plano em prática. “Sugiro guardar no mínimo 10%
do que se ganha. Quem não tem um fundo para contingências fica numa situação
muito difícil nos meses de transição”, diz José Augusto. Se poupar o salário
for muito difícil, poupe o dinheiro extra. “Guarde parte do décimo terceiro, do
bônus, das férias”, diz o professor da FGV.
A
organização financeira se mostrou fundamental para que o administrador Roberto
Caldeira, de 52 anos, mudasse totalmente de rumo. Diretor de novos negócios na
agência de viagens Prime Tour, ele resolveu deixar o cargo para tocar o próprio
negócio. “Sempre quis ser empresário, mas obtive sucesso na profissão, casei, tive
filhos e acabei deixando esse projeto para trás”, diz Roberto.
Mas,
depois de fazer uma nova leitura de seus objetivos, percebeu que era hora de
retomar o desejo antigo e se tornar sócio de uma operadora de turismo menor, a
Auroraeco. Ter uma situação financeira estável ajudou na decisão. Além de ter
feito uma reserva ao longo dos anos, Roberto abriu uma franquia com a mulher,
investimento relativamente seguro que o ajudou a fazer um test-drive como
empreendedor. “A franquia está indo bem e tem ajudado neste período de
transição em que meu fixo caiu pela metade. Sei que estou pagando um pedágio
para estar onde quero daqui a cinco, dez anos”, afirma Roberto. Quando a
mudança é necessária – e faz sentido internamente – os pedágios são apenas
pequenas pedras no caminho em direção à satisfação profissional.
Check-up
passo a passo*
As
questões abaixo, se respondidas com sinceridade, vão ajudar você a pensar sobre
seus objetivos de longo prazo e a criar um plano de ação para a sua carreira.
Procure registrar as respostas na agenda, no computador ou no celular, tanto
faz.
Etapa 1: Interesses e
objetivos
a)
Se eu tivesse oportunidade, trocaria de profissão ou de ocupação?
b) O
que eu gostaria de fazer? Por quê?
c)
Qual é meu sonho profissional? O que falta para chegar lá?
Plano
de ação: avaliar o grau de satisfação com o trabalho e criar um projeto de
médio ou longo prazo. Por exemplo: “Quero ser diretor da empresa em que
trabalho; meu objetivo é ir para a atividade acadêmica…”. Crie metas alinhadas
à sua vocação e elenque o que terá de fazer para atingi-las.
Etapa 2: Performance
profissional
a)
Em que sou realmente bom?
b)
Propus inovações ou contribuí significativamente na minha empresa?
c)
Posso desempenhar outra função?
Plano
de ação: você precisa diagnosticar tendências no mercado (quais são as
competências técnicas e comportamentais mais desejadas na sua área) e planejar
sua atualização profissional. Deve elevar ainda seu nível de cultura geral,
conhecer novos recursos tecnológicos e diversificar fontes de acesso à
informação.
Etapa 3: Vida financeira
a)
Tenho reserva financeira de contingência?
b)
Se perder o emprego, quantos meses eu conseguiria viver só de minhas economias?
c)
Há renda extra? Qual é o valor dela?
Plano
de ação: o primeiro passo é mapear receitas, cortar gastos e passar a poupar no
mínimo 10% dos rendimentos para emergências. Pesquisar e fazer investimentos
produtivos faz parte do pacote, assim como buscar atividade extra remunerada,
que não o sobrecarregue. Mas crie um plano B.
Etapa 4: Networking
a)
Minha rede de contatos é ampla?
b)
De que maneira cultivo relacionamentos? Visito, telefono, escrevo?
c)
Registro e organizo os meus contatos e encontros?
Plano
de ação: aqui, é muito importante revisar e aprender procedimentos de
networking. Resgate cartões e e-mails e registre seus relacionamentos,
particularmente os mais interessantes. Tenha como meta reservar alguns minutos
do dia para conversar de maneira descontraída com as pessoas.
*Fonte:
José Augusto Minarelli, diretor executivo da Lens & Minarelli
Fonte:
Você S/A

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